dimanche 31 août 2008

El`é



ele é jovem e tem o mundo na cabeça
ele é novo e tem o infinito aos seus pés
ele é tudo que sua imaginação permite
e nada que não deseja para seus lindos dias

Ele é jovem e há quem o veja a muitos olhos
ele é novo e quem não quer sorrir assim
ele é tudo que deseja para o mundo
e nada que reserva para o resto de seus dias

Ele é jovem e quer assim permanecer
ele é novo e conhece bem o que viveu
ele é tudo que passou por bem ou mal
e nada que virá do escuro e festivo túnel dos seus dias

Ele é jovem e tem mochila cheia
ele é novo e não tem muro às costas
ele é tudo que pula, cai e segue em frente
e nada que promete apodrece em seus dias

Ele é jovem e tem música nos pés
ele é novo e quer mudar o mundo
ele é tudo que tem sem saber do porém
e nada de quem sobrou do futuro de seus dias

Ele é jovem e tem a cabeça nas nuvens
ele é novo e quer os pés juntos aos peixes
ele é tudo que cantam, sonham e vendem do lado de lá
e nada que não caiba no canto dos pássaros

Ele é jovem e sorri pra tudo
ele é novo e faz poses despido de vergonhas
ele é tudo que registraram as câmeras e olhos
e nada que jorraram por sua voz nos passados dias

dimanche 24 août 2008



chove cá dentro!
e a lua se esconde na sombra de uma esfera ininterrupta
que todos juram girar pra frente!
digo: o futuro é uma sala escura
uma sombra pra lua
e o passado é aquela pilha de canto de quarto
que vira e mexe cai, ou é desmontada
por uma ávida busca a algo que no presente falta
penso: presentes me faltam!
só tenho chafurdado num porquê de coisas
enterradas e putrefadas
que me circulam as narinas
despertando arrepios nada amigos.
repenso: todas as promessas insistem
em continuar na penumbra dos amanhãs
que nunca chegam.
desejo: mais abraços apertados!
que venham logo, sem esperar pelo metrô
que corram os sorrisos
e voem as gargalhadas
quero fluidez de assuntos,
quero minha boca falando mais alto
e tão sincera quanto meus pensamentos!
escrevo: que venha a nova semana!
surpreendente no tomar de atitudes
e repetidamente hermética e bem distribuída
como já fora e tem esquecido de ser.
boa lua nova pra todos que como eu
aguardam ansiosos o setembro próximo
com minha primavera mãe!

samedi 23 août 2008

por.um.fim.nada.próximo


por um instante pareceu-me claro o cerne do meu atual problema!
dos trabalhos atrasados e cada vez mais acumulados
à pilha de louça que conservo, admiro e alimento por mais de 24 horas, antes de liquidá-la entre respingos, esponjas, escovas, detergente e blusa+cós da calça encharcadas.
de repente, não mais não menos, o sentido tomou uma proporção tamanha que eu poderia chamar a situação de absurda e clareza de clarividência!
Como um corpo que é observado por sua própria alma proprietária ao final daquele sonho que explode em susto e taquicardia, poderia, do alto de minha translucidez, ou loucura irrefreada dizer que assumi a poltrona 14 à direita de uma sala cinemark vazia cuja exibição era o resumo da ópera. Ópera neste caso, minhas melodramáticas últimas semanas.
Como um suicida em busca de sentidos, valores e sinais de sua necessidade de permanência na terra, tenho admirado com estupefação, murmúrios e lamentações felinas (o que intimamente se revela uma admiração infanto-juvenil, daquelas com sorriso de canto de boca e um sonoro, porém interno UALLL a cada encontro com objeto admirado) os acúmulos de tarefas, a protelação de urgências e o desperdício impensável de mal usadas horas, ou abuso irregular do tempo.

Isso acontece comigo, talvez pela perda completa de parâmetros de tempo, de atividades e de vidas alheias. (melhor explicando, os parâmetros continuam por aí, nas janelas em frente, nas vozes ao telefone e nos companheiros de ronco e travessia da ponte. Isso ainda existe, mas nesse clima cada vez mais solitário, tenho esquecido de olhar pro lado) Tenho vivido meu tempo, misturando dias e noites, sonhando ao Sol de meio-dia e produzindo ao som de bárbaros uivos que invadem minhas janelas e retumbam pelos cômodos vazios.
É uma vida um pouco liberta das divisões de tempo. Magnífica seria essa afirmação se não houvesse o próximo parágrafo.

Acontece que ainda me escravizo sofrendo por não "conseguir" (pq os impecílios e desvios são escolhas e criações minhas) m`encaixar nesse tempo. Acompanhar essa esteira. E porque tão complicada e burra decisão?
Bom, parece que intrinsecamente decidi inverter papéis de passado, presente e futuro. Melhor explicando, tenho me agarrado ao futuro.
Como sabemos o futuro a Deus pertence, certo? Está escrito! É destino! Acaso... ocaso, pq não? É aquilo que ainda não foi filmado, não há script, não existem certezas, nem mesmo poderíamos criar dúvidas em relação às repetições futuras desse mesmo segundo chamado de AGORA, certo?
Pois aqui cabe uma ilustração futebolística.
Explico (a mim mesmo, que fique claro!) que como um jogador que chuta a bola (agora) para correr e alcançá-la mais a frente (futuro) (ou seja, preenchendo no momento do chute um tempo que só existirá segundos após, quando seu pé alcançar de novo a redonda) (pq sim, se a bola tivesse que evoluir junto com ele, seria mais fácil tomá-la em seus braços para então avançarem juntos) tenho eu, nem um pouco atlético, quiçá dotado de espírito esportivo, chutado meus deveres e urgências para os tempos ainda distantes no calendário, de forma a justificar a corrida dos dias e a necessidades dos amanhãs!
É um abissal compromisso (com o sentido dos dias futuros) descompromissado (com as atividades dos minutos presentes) que transforma o trabalho de um dia, em semanas de atraso, lamento e passos de cágados, uma louça de prato, copo e panela singulares com talheres em plural, numa digna louça de banquete que só é lavada quando assusta pelo espaço ocupado, ou ainda uma camada ligeira de poeira leve, em tapete grosso e finamente trançado de pó e particulas destroçadas trazidas pelo vento que só extermino quando conseguem acordar àquela alergia de infância.
Passo o dia plantando feijões em potinhos para vê-los germinar e morrer em poucos dias. Ou chutando bolas para correr pelo campo e vê-las perder velocidade até que encontrem meus pés novamente, ou pingando tinta rala e escura (quem sabe café?) na folhinha de hoje no calendário para rasgar os dias contemplando as marcas deixadas em muitas folhas seguintes.

É louco. É, talvez, um mecanismo de defesa. É minha realidade presente, aprisionando e me obrigando a acordar nos dias futuros.
É a necessidade de cobrança, reclamações e deveres que me façam (ainda que brigando por mais de 2 horas com o despertador) levantar da cama, me olhar no espelho e pensar... que merda.. tenho uma louça gigante na pia, estou mais um dia atrasado com aquele trabalho que não fiz nem 35% do que é preciso para atingir o final.
Ahh... o final. Ele é o meu temeroso rival. É o abismo do sentido. É a curva da morte onde, uma vez completa, torna-se imutável e reles passado... para sempre!
é como a premissa de eterno vazio que se aproxima ao final de um livro.
é desligar o motor e temer nunca mais ligar aquela ignição. =S

EM poucas palavras, percebi que finco e me penduro em "alguns trizes" para ver mais alguns dias nascerem felizes.

dimanche 17 août 2008

ocaso




um dado não resolve o caso
de quem de casa partiu
com inúmeros recados
e avisos
e cobertas
almofadas,
bolhas plastificadas.

um caso não encontra o raso
de um qualquer pensante
ainda que infante
e inteligente
mas errante
e crente
num crescimento distante

o raso não permite casos
do apostador de azares
nem rolar de dados
e jogos
ou pesares
nunca acasos
ou é mergulho ou são saudades

dimanche 10 août 2008

Sorte de hoje: A vontade das pessoas é a melhor das leis



não
sei amar!
não me ensinaram na escola
não houve teste, nem sequer nota

não sei como agir,
e faço tudo errado
como quem queima o feijão na primeira
salga na segunda
e esquece o tempero na terceira vez.

nunca me disseram como é
só me mostraram diagramas
diálogos escritos e filmados
de algo bem diferente
da minha realidade
e do padrão de aceitação


sei lá como é!
mas queria saber
sei lá como seria
mas não pago pra ver!

e sigo esperando que um dia aprenda
ou encontre alguém que ensine!

sem título sobre a culpa



não
prometo estar certo sempre
nem coerente
nem ser prudente diante à boçalidade de uma atitude acertada!
quem mora na minha cabeça sou eu
quem responde ser titubear
a uma bobeira de certeza não são os outros
nem tu
que vive a decepção de um momento estatelado entre quatro palavras
sempre sarcásticas que disfarçam o desarmamento de alguém sempre a postos
sempre de garras nas mangas
e pés dispostos a correr e chutar e sorrir.
amarelo de desentendimentos nunca de surpresas.

não sou uma mpb relax e óbvia, nem sempre! não quero
mas não escolho
de repente pula um improviso à la Ella! que sai pela culatra e deixa rastros de alguém que ninguém alega ter jamais visto!

não suporto sua desaprovação, me dói e muito, mas nem sempre posso aliviar um ritmo que não me cabe o comando.
a atitude idiota brota repentina e jorra sem previsão de fim. até que longe me bate a vontade de virar pra trás e dizer que não queria assim.
aí já passou o tempo, o espaço e restam só créditos subindo na escuridão.
lá ocupo o vilão e o desenfreado impensante.
não recebi por isso, nem sequer li o script!
aconteceu.
não tem culpa vc, nem tenho eu!

eu queria partir, piscar e estar em casa. mas fui contigo e tb disso quis fugir. queria ser eu e minha magia de reaparecer longe de tudo. mas essa partida é sempre inconcluída, e desajeitada. não sei ser natural qdo o assunto é tchau. e sou sempre aquilo que vc viu, e quase sempre escondido em tolerâncias.
foi péssimo, mas não queria dizer nem um foi mal. nenhuma desculpa! queria apenas ser eu, sozinho e egoísta, saindo no meu tempo, sem malas, sem justificativas e sem descontentamento.

não entenda, nem precisa. não desculpe! o erro existe e não há nada que o redima!

samedi 9 août 2008

um beijo no sonho


{arte.gustav klimt - o beijo


um sonho
um beijo

um sonho que beija
ou ainda
um beijo que sonha

no diminutivo o beijo
se torna doce de infância
de festas, de água na boca

já o sonho sem flexões
é doce de vitrine,
de esquina, de padaria

hoje sonhei um beijo doce
sem qualquer conversa

e levantei roubando ar
d'um quarto escuro
sem coragem de acordar


{não sou bom com rimas. nem pretendo ser! mas a noite me trouxe um sonho que precisava ser registrado em algum espaço além das retinas dos meus olhos cobertos.
p.s: não é vc no sonho!

p.s mto póstumo.: era vc no sonho e na rima. (3.12.09)

mercredi 6 août 2008

meu desinteresse perfuma um cangote que nunca será cheirado.





finjo desinteresse enquanto me satisfaço em corrosões internas.

com meus desejos lido de duas maneiras.
como sorvetes apetitosos ora os congelo numa promessa de recompensa futura, uma honra ao mérito que desfaz na boca. Ou os deixo ao sol, expostos até que atinjam uma cremosidade de dar dó, ou nó! na língua, tamanho o gozo.

há um dentre todos que conhece bem a vida de esquimó.
um habitante de iglus, verdadeiro adorador dos luares brastemp.
só passeou pelos raios diurnos uma ou duas vezes... já não lembro ao certo.
vez ou outra me lembro que ele existe e abro o freezer pra constatar sua existência.
já o encontrei soterrado por dúvidas megeras, em férias no hemisfério norte da geladeira e já o vi solitário na planice plástica e alva sem qualquer cubo de gelo para lhe fazer companhia.
também o vi invejando escolhidos desejos que derreteram feito mel em brasa comprimidos entre o céu e a aspereza da língua{ mestra e desejosa é ela quem anseia pela libertação dessa desfigurada e dubitável vontade que nasceu cedo e já deu sinais de morte alguns tempos, mas que se recupera fácil dos porres dos dias.
um sorriso e ela abre os olhos... um abraço e ela pula da cama, um cinema e ela se arruma para ser resgatada das noites entre frangos e congelados, um boa noite e ela enche a cara aos cubos, seus companheiros de birita. e volta como um picolé recongelado a descansar no chão ingrato do andar de cima do seu prédio sem janelas ou escadas.

isso pode ser paixão sem fogo, daquelas que o charminho ganhou status de aposentado por invalidez. isso tudo pq acabo de ler que o apaixonado encanta com proposital desinteresse. o meu proposital fugiu dos esboços há milênios, e como bom(ou completamente péssimo) ator já não lembra o que é realidade o que é script das memórias e vive acreditando em sua própria razão fictícia de ser.
e a platéia de conjunto unitário segue desconhecendo (ou tb fingindo) que de irreal não há nada e todo desinteresse nunca foi encenação.


.a.vontade.qdo.posta.a.prova.pode.durar.poucos.minutos.de.felicidade

mas.sua.conclusão.nem.sempre.anula.o.desejo.
sempre.pode.aparecer.um.palito.premiado!!!!!