jeudi 31 janvier 2013

nossa senhora desatadora do nós


nos atamos há tempos
que a memória já não consegue mensurar
ora apertados, ora soltinhos
balançávamos a linha
criando laços pelo mundo
unindo a nós outros nós

algumas tríades fortaleceram nossa corda
algumas sucumbiram ao afrouxar do tempo
e num ritmo tarantinesco
formamos trama, entrelaços, tecido

de pespontado forte filtramos a vida,
entrelinhas, entre um nós que já não era
duo, mas múltiplo, de 3 ou 2,
dependendo do calendário.

fechamos o cerco,
formamos cirandas,
no balanço da dança
costurei pensamentos
enterrei carretéis, enlacei sentimentos
com avançar dos passos
e soltei o nó que prendia nossos pés.

fácil não foi. desde então
esqueci como se amarram cadarços
aprendi a dar nó no pescoço
e me entristeci com o nosso desatamento.
mas a vida segue, nós cegos,
marinheiros, atracantes ou flutuantes.

os fios costuram meses
enquanto aguardo novos nós
amarrados com aperto de mãos
arrematados com sorrisos
e vizinhos de pés num mesmo caminho.

[de mim pros nós de garganta da última noite que meus dedos ousaram desfiar]

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