lundi 9 février 2009

a estética da aceitação.



[obras de ron.mueck, beatriz.milhazes e david.lachapelle]

*o texto a seguir está sob revisão por tempo indeterminado.

eu enxergo. abro os olhos e no instante em que recupero os reflexos de cores em minhas retinas, me distingo.

cores e formas.
familiares formas, sensações e encaixes.
aceitações.
me reconheço e me aceito, inserido ainda num banheiro mal iluminado e com visíveis características de um recente sono.

Numa situação muito próxima acontece a escolha da estética do dia.
Isso dependerá da aceitação esperada naquele período de horas que seguirão e onde espero obter sucesso, ou algumas vezes só arrancar curiosidade e até uma leve estranheza dos olhares alheios. aí insiro a minha estética do humor.

a aparência é o primeiro recado a ser dado para qualquer outro "olheiro" com quem ousemos cruzar retinas, odores e também sons ou sutilezas no toque. e é através dela que nos colocamos enquanto aceitadores ou candidatos à aceitação. quando o grupo que nos cerca inicia uma escalada à convivência e integra nosso habitat, tendemos a repetição da estética que nos fez aceitos na inserção e com o tempo ganhamos confiança e sensatez para variarmos as formas e cores dentro, não só do padrão aceitável, mas também dentro da parte que nos cabe enquanto gosto. O gosto nada mais é do que a aceitação própria de que determinado padrão visual nos remete a outras memórias emotivo sensoriais ligadas ao desejo e ao prazer, e a repetição do mesmo.

Algumas vezes há o padrão estético massificado como proporcionador do prazer que nos incita a experimentação desse algo que no íntimo não nos leva ao encontro e reconhecimento de nós mesmos, como o mencionado no início do texto.
Melhor dizendo, o fato de nos adequarmos visualmente ao ambiente do qual pretendemos extrair aceitação e sucesso, ou empatia e comunicação já nos afasta em definitivo do reconhecimento primeiro enquanto indivíduo egocentral.
Ao passo que ser egocentral já constitui, sem pausas para assimilações, um conceito de indivíduo que inserido e adaptado ao habitat, mergulha numa busca e experimentação bibliotecária de singularidades, sabidas como compartilhadas, mas ignoradas pela sede de se sentir único num mar de cardumes alinhados esteticamente.

O que foge à maioria é que a massa de peixes está alinhado seguindo convenções cada dia mais mutáveis e de livres autorias.
Alguns despontam seus nomes aos quatro ventos, metonimizados por criações inovadoras, ou simbioses interessantes, que caem no gosto de uns influenciados e influentes por e à outros que atualizam quase que diariamente os levels aceitáveis de estética aos grupos em que transitam.
O que nos leva a transitoriedade de algo tão banal e simples porém super estimado e selecionador, e não menos abstrato, que é a moda.

inventada por poucos, cultivada e misturada por muitos, repetida por todos cujos olhos, ouvidos e curiosidades são atingidos por mídias devassadoras de gostos, divulgadoras de burburinhos e interessadas em lucros.

A periodicidade dos arroubos estéticos divulgados em cmyk ou rgb mundo afora surpreende pela variedade de um mesmo ponto e revisitas de um mesmo vértice vendidos como supra-sumos das inquestionáveis novidades do monetário mundo dos desejos.

Os imperdíveis e recicláveis padrões estéticos nos conduzem à viagens afetivas por abstrações e combinações morfo-cromáticas enlatadas como íntimos itens de círculos e cíclicos ambientes onde desejamos ser o espelho de estranhos-egos sintetizados em minuciosas semelhanças e alcançar o regozijo prometido aos e pelos deuses que alicerçam nossa crença econômico-psíquico-social.

Em simplicidade de idéias, não saímos de casa, ou adquirimos uma peça de ostentação e vestimenta sem uma boa aposta em algo que achamos ser adequado ao destino proposto.

Ao mar pertencem as baleias e aos aquários redondos, os peixinhos dourados.
Encaixar na circunferência vitrificada os milhões de diferentes cardumes é apostar na ruptura de um limite tolerado e torcer pela queda em mar aberto, ou alcance de um limite maior.



samedi 17 janvier 2009

Baseado em quê?



Do que te cercas?
o que entra na sua casa,
no seu quarto?
quais cores, cheiros, sabores?
de quantas formas precisa?
quantas peles, janelas, cantos?

que sons te embalam, que texturas,
quantas luas?

baseado em quê?
ancorado em quantas pernas,
quais palavras,
quantas linhas?
embalado por quantas páginas,
quais as notas, em qual escala?

andando sobre quais calçadas,
quantas ruas?
baseado em qual cais,
encostado em qual pilar?
quantas pilhas, quanta carga,
qual o peso, quanto acumulo?

que cores te levam, quais lençóis?

quantos sóis te queimam,
quantas flores te encantam,
e pessoas te querem?

onde deitas, como comes,
quando sentas?
a quem paga,
quem te cala?

como aguenta tanta coisa com memória tão pequena?

como vive tão cercado, cerceado pelos dias?

quem organiza tão pouco tempo, limitado pelo vento?

a vida leve exige os mecanismos de um caça-níquel.
sempre sorteando três focos por vez,
alguns gerando ganhos e sorrisos infindáveis
outros na miséria das frustrações.

o feliz ambicioso não tarda a lembrar-se daquilo que para o frustrado
é o símbolo de esperança e renovação.
baseado em quê?
não importa... aperte logo a alavanca
e que girem até parar no sorteio dos três elementos da vez.





mercredi 14 janvier 2009

frugal




pensando sobre o que me resta de velho nas geleiras derretidas dos últimos dias, enquadrei como frugal uma certa coexistência q há mto me acompanha.
E pensando em frugalidades, ainda intuindo seu significado, refleti sobre como tenho me sentido destemperado e pq não frugal?
Poderia para por aí, fazer cara de personagem europeu de filme denso e ir dormir, mas ainda estava apenas intuindo sobre o que diabos isso tudo poderia significar.
Recorri ao dicionário e como já havia acontecido antes, achei nele a definição que procurava pro meu atual estado de espírito.
Comecei com frugalidade e cheguei a temperança e a sua primeira definição segundo o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis on line:

tem.pe.ran.ça
sf (lat temperantia) 1 Poder ou virtude pela qual o homem pode refrear os apetites desordenados.

bingo!
a desordem me organiza em turnos de lamentação, contemplação estática dO nada, alimentação e descanso.
os apetites me causam dor de cabeça, tonteiras e crises do labirinto espiralado onde perco minha energia, minhas memórias e meu foco.

me sinto diante de um espelho côncavo sem a base de cálculo do ponto focal, tentando no ensaio e erro encontrar a resposta certa.

desta situação destaco o erro de tentar ensaiar uma diretriz de certeza.