uma boa dose de rancor e silêncio com doses extras de felicidade ironia, palhaçadas adicionadas de ódio, neuras, pecados rechados de divertimentos, condimentos e desejos com muito chantilly e um balde de confianças mergulhado num container de frustrações. muito sério, ~~ muito chato, muito retardado, ~~ muito alegre, muito sorridente, ~~muito viajante, muito filósofo, ~~muito fascinante, muito entediante, ~~muito normal, muito peculiar, ~~muito sereno, muito atuante, ~~muito preguiçoso, muito pedante e muito humilde, ~~muito falante, muito aventureiro e muito medroso, ~~muito gratuito e muito careiro, muito cortante, ~~antioxidante e antiséptico mas, muito na minha. assim sigo com um mundo em combustão ~~ dentro de um crânio tamanho 56 do panamá, tentando ser um pouco de cada muito.
vivemos vidas tão grandes em momentos tão curtos! um dia, uma emoção, uma ansiedade, de outrora, porém única. sempre únicos os momentos que compõem o filme, como os frames que compõem a vida. os dias e as pessoas, únicas! conhecemos tantas pessoas e aproveitamos tão pouca gente! reunir sempre é bom, sempre nostálgico e mágico. é como unir ingredientes de uma receita! costuramos pensamentos, idéias e lembranças dos tempos que passamos, costuramos pessoas, conhecidos de terceiros, com conhecidos de segundas e quartas-feiras. colamos histórias e cozemos retalhos e juntos aprimoramos o maquinário, perpetuamos as relações e mantemos a coisa girando, o mundo funcionando. Como medir uma vida, sem lembrar que tudo aconteceu inúmeras vezes? e sem esquecer de um quinto de cada segundo que foi sorrido, ou chorado, esperado, banido e retratado. o dia nasce, o sol desaparece e o ano corre, tanto quanto os velocistas em suas vidas com 18 marchas, com freios e receios a cada desvio, mistérios a cada curva e hipóteses a cada intrépida parada, que mesmo necessária não faz o mundo cessar de viver, de rodar e de ser uma unidade de cada vez. a flor despetala em unidades, como a chuva em pingos, o mar nasce em rios, a terra com seus cascalhos e os pensamentos com esquecimentos do pouco que percebemos de tudo que nos cruzou os olhos. pouco vemos senão aquilo que nos é familiar diante dos olhos. pouco percebemos de novo daquele que nos fita todo dia e se mostra parecido sempre, mas recheado de nuances quase nunca destacadas. mas as unicidades e unidades estão aí para serem vividas e sentidas e analisadas e computadas, registradas e devoradas como um grão de cada vez, uma garfada depois da outra, um beijo, um amor, uma foda, um clique, um sorriso e uma lágrima. tudo vem em unidades, nem sempre homeopáticas. só nos resta escolher o tamanho do conta-gotas, a unidade de medida, a face do escalímetro, a altura do pulo, o sentido da vida, a envergadura do trampolim, a hora da morte.
para onde vai tudo aquilo que não falamos? tudo que varremos pro canto de um olhar intimado a piscar? pra baixo de um sorriso meio sem graça? onde acumulam-se os secret.hearts incapazes do menor sussurro ao pé do ouvido d'aquele que parece distante mas que por dentro deve se inflamar em pensamentos tão desejosos quanto os meus, ou os de quem nunca ousa avançar?
os olhos se cruzam entre palavras banais, os dedos se contorcem nas asas da xícara e no pote sobre a mesa, enquanto alguns sorrisos brotam na presença de terceiros, e sem dar bandeira tentam se corresponder. tudo não passa de ilusão, de vontade, de representação, ou interpretação de sinais que somem, se perdem entre desejos, medos e receios de que tudo não passe de uma via de mão única, de um coração em brados e outro em brandos tu-tuns. quem guardará o portão de tal cemitério, onde residem as fetais palavras malpronunciadas em pensamentos malvarridos?