jeudi 15 avril 2021

soltando poesia presa, ou soltando o intestino só.

poderia dizer que eu gosto muito de Escrever

mas acho que o que eu gosto mesmo é de digitar.

ver as palavras surgindo numa tela, os dedos tocando uma melodia rápida como se entorpecidos em alguma pista de dança muito louca.

Sim, eu amo digitar rápido. Como se liberasse um fluxo de pensamento cheio de erros de ortografia ou digitação que mais tarde serão corrigidos, serão editados, serão lidos e relidos 2, 3, 7, 12 vezes antes de encontrarem algum olhar que não seja o meu próprio. Isso, claro, se eu estiver falando de um texto aleatório, reservado a existir em alguma publicação de rede antissocial ou lugar onde as pessoas acedem para ler os textos de outras.

Mas estava pensando antes de resolver digitar esses pensamentos o quanto eu adorava flertar digitalmente, pela internet. O quanto eu desenvolvia um estilo de flerte, digitação e sarcasmo próprios do distanciamento físico. Do estímulo e resposta programados, pinguepongueados com um delay dos bytes correndo o mundo.

Eu saco daqui, pow!

Envio - bytes - leitura - risada graciosa - resposta - pah!

Eram bons tempos. Boas risadas safadas, entretenimento barato de quem queria só uma foda. Mas uma foda com o cenário do senso de humor e da exploração das fronteiras além das convenções já estabelecidos. Acho que sempre encontrei um certo tesão nessa permissão de ser estúpido, ou de se desnudar de seriedades nessa busca de um deslize molhado de línguas na nuca.

Vamos convencionar ou saltar longe delas, que linguarada, lambida, lambada, dedada, suor, cadência, arrepio, leveza, destreza, sussurro, tesão... não são palavras dadas a seriedade. Mas espertas ou despertas de serenidade, aquela serenidade tranquila de quem se permite a estupidez na conquista. Cá entre essas paredes de nós vale tudo pela gozada gostosa, pra ser feliz, tudo pelo clímax, tudo pelo sorriso que alonga a pista da língua enquanto estica o pescoço pra trás naquela incontrolável "petite mort" ou seria um choque de vida? Bom, vale tudo pela criação conjunta de uma estática extática que arrepia cada mitocôndria e inspira cada hemoglobina a querer mais prazer, mais joie de vivre, mais vida. E quando eu digo q vale tudo, vale tudo que arranca sorriso safado. Esse negócio de arrancar cabelo e arrancar pedaço não me interessa.


alguma coisa me inspirou a escrever e a relatar que gosto mesmo é de digitar e que sinto falta desse flerte virtual ou só saudade mesmo. Não sei se saudade é falta. Acho que às vezes é só carinho com uma memória. talvez me sentisse ridículo fazendo isso hoje. talvez por isso não tenha flertado nenhuma vez nesse inferno de distanciamento. talvez o que tenha me inspirado a digitar tenha sido essa sentada que dei no computador às  vésperas da meia noite de um novo dia, numa culpa profunda de uma procrastinação cretina que me coloca na impossibilidade de concentração pra terminar um trabalho que tá atrasado há 3 dias, ou 3 meses, depende de qual promessa de entregar a manhã você esteja usando como ponto de partida. Talvez tenha sido ouvir 3 podcasts tão viscerais hoje e ter pensado que ainda não gravei o meu. Mentira. Não foram todos viscerais. Um foi bobageira com um participante que pegou um amigo há 10 anos e sabemos que tem uma jambrolha gold. Outro foi com o tesão da minha adolescência e sexólogo mais querido da extinta eme tê vê, o doutor delícia Jairo Bauer. O terceiro sim foi visceral e na real foi o segundo que ouvi se tivesse contando na ordem certa. Mas esse sim, com melhor nome de todos, aquele nome que já é um abraço de vó de família classe média anos 80 com muitos netos só pelo nome, o Angu de Grilo de Flavia Oliveira, a verdadeira sensatez da internet, real e palpável demais pra ser fada e por isso mesmo melhor que a presepada de garotada influencer sem defeitos. Acompanhada da também xófem como a garotada, mas tão firme, potente e real quanto seu timbre de voz cortante, daquela que sintoniza na realidade na hora - sem bulshitagem pra cima de mim, bróther - Bela Reis. A autora do tal discurso visceral que falei. Bela fez uma ode à infância e a responsabilidade dos adultos para com essa fase da humanidade, sem rodeios, sem romance e mais importante e potente que a declaração inteira do ECA - Estatuto da criança e do adolescente. E Flaviol, como configura o arroba, ainda sacou na peteca que não só a infância, mas a senilidade também merece essa atenção. E a verdade é que não sei se foi esse discurso aplaudível de pé, inspirador e chamando na chincha da crueza do humano adulto mimado e consumidor que estamos nos tornando mais a cada black friday,  pra nossa responsabilidade indiscutível de manter as crianças protegidas, alimentadas, atendidas em suas incompletas faculdades mentais e motoras para que então, um dia, se tornem adultos funcionais e críticos como nós, não sei se foi isso ou o despertar pra solidão que me fez driblar o trabalho atrasado de novo e vir digitar essa redação do enem sobre tudo e sobre nada. Essa gangorra que eu adoro. Aquela gangorra de tear que perde o fio da meada e só fala porque é só pra isso que meu sangue tá circulando nesse momento. Pr'um digitar sem fim, tão azeitado, sensível, sofrido e fluido quanto o monólogo brilhante de Chico  Diaz em A Lua vem da Ásia. putaquelpariu pra essa peça, pra esse sentimento, pra essa loucura que encanta e assombra na mesma medida.

Talvez tenha sido isso que me fez escrever ou digitar tão loucamente às 00h06 de uma quarta que virou quinta e que atrasou mais trabalho e que me fez lembrar do tesão dos bate papos do ano dois mil, onde eu brincava de ser sacana de propósito pra já antecipar num prólogo gostoso aquele sorriso que alonga a pista que a língua percorre fazendo charminho depois de um gozo esplendoroso que arrepia suado e coroa aquela exploração que dois corpos fazem às leis da física ou da quântica, ou sei lá, desafiando o tempo a durar uma eternidade em outra dimensão.

Aliás, se Soul não fosse da Disney, aquela dimensão do transe estaria cheia de transa, né?

Talvez tenha sido o podcast que nunca gravei o livro que nunca escrevi, os 400 dias completamente sozinho e responsável por mim mesmo. como casa caralho.

Talvez tenha sido a louça q não posso mais lavar depois das 22h30 em respeito ao vizinho cuja cabeceira faz fronteira com a minha pia. CARALHO DE ARQUITETO BURRO. Nunca cogitou o avizinhamento entre a cozinha de um notívago solitário em pandemia e a cabeceira de um atlético cordeiro, de quem pula corda 4 - 7 x ao dia, que deita cedo, levanta pra mijar 3x antes do outro vizinho ir dormir e acorda com as galinhas e já tá saindo pro jogger antes das ingratas seis horas da manhã. E porquê eu sei isso? Pq lá pelas seis, sol nascendo, é minha hora de levantar pra mijar e numa dessas já ouvi a porta do vizinho, porta do elevador, espiei da janela e lá vai o jovem atleta mover o corpo.


Não sei direito qual foi esse estopim, mas sei que meus dedos estão exaustos, meu cérebro encantado de finalmente depois de 976 ciclos lunares, voltar a bailar com os dedos que mais catam milho que bailam como um corpo de ballet no palco do Faustão. Tá mais pra 4 nerds de filme de formatura americana tentando performar uns moves na pista de teclas enquanto o resto fica no banco de reserva ou no beat do espaço e do ponto. hahaha


Sei lá quem vai ler isso um dia, mas talvez esse texto só exista pra dizer que é foda demais seguir mais de um ano sozinho, trancado num apartamento de 30m2, com a coluna em frangalhos, trabalhando em esquema home office durante uma pandemia, com interações sociais mínimas e tendo que decidir absolutamente tudo sobre a sua sobrevivência. tem dias que acordo e jejuo por preguiça de lavar a louça pra conseguir comer. outros eu só como o café na hora do almoço, pq a tristeza não me deixou colocar a máscara de oxigênio em mim antes de logar e começar a trabalhar. É foda, mas a gente conta com podcasts e memória de tempos bons em que um flerte virtual já setava o tom da excitação de um encontro futuro. Sei lá quando vai acontecer outro. E foda-se. ou Fodo-me, que é o que se tem ao alcance quando se está sozinho.



mercredi 27 janvier 2021

Era pra ser um Tweet



Bolsonaro é de fato tudo que a figura do Lula representa no imaginário do anti-petista. Um corrupto inescrupuloso, mentiroso, pequeno para o cargo de presidente, incapaz, um aproveitador que abusa do poder que tem para inflar seu ego, sensação de superioridade e impunidade. Num resumo visual, um porco que se refestela sobre as pérolas e milhões de arrecadação de imposto que são administrados pelo poder público, mais exatamente o executivo.

Bolsonaro personifica uma vingança infantil de todo valentão burro, mimado, delinquente, iludido e incapaz que viu um desafortunado se dar bem. Ele ascende ao poder pra colocar em prática todas as fantasias maquiavélicas e imorais que ele imaginava que desafortunado gozava enquanto estava no poder.

O crime da dita "esquerda' foi eleger e reeleger um presidente analfabeto, líder sindicalista, metalúrgico e na sequência uma mulher torturada pela ditadura. Isso inflamou o status quo do poder da grana, da bala, da violência. E o golpe final foi esse analfabeto e essa torturada realmente tentarem virar os holofotes dos investimentos públicos para o povo. Ainda q numa luz fraca, provarem que mesmo na lama das rachadinhas, da corrupção, do favorecimento do poder econômico instituído, o Brasil é um país rico, de arrecadação de imposto elevadamente suficiente pra se devolver ao povo um projeto melhor de país, de educação, de ciência, de referência e protagonismo internacional.

E o circo foi armado pra retomada do poder pelos sempre fortes, retomada da manutenção da mamata, manutenção da miséria, manutenção da alienação do povo. Retomada da ordem social cruel, assassina, racista e do cabresto. Só não esperava que essa retomada elegeria um alienado, acéfalo e delirante, que não demonstra o menor respeito pelo cargo que ocupa, a menor preocupação com a função que deveria executar, a menor bola pro mínimo de consideração com a vida, com o trabalhador e com a imagem e riqueza da sua nação.

Bolsonaro é o delírio que chamado de MITO representa de VERDADE tudo que foi criado em torno do Lula como mitologia da corrupção. Se os impropérios proferidos pelo mais desprezível ser que já ascendeu ao poder (e mais desprezível pq estamos aprendendo que a burrice e o delírio atribuem outras, novas e mais fortes e cruéis matizes ao corrupto normal, de estimação, que o brasil sempre criou aos montes na política) saíssem da boca de um líder sindicalista eleito, de uma mulher eleita, de um pobre eleito, de um preto ou preta, de um favelado, de um deputado gay ou de qualquer outro ser menos embrulhado em privilégios sociais da estrutura de poder dominante, já teríamos visto manifestações em massa, prisões e poderes se mexendo para destituir o maior cargo político do país das mãos de um ser que de tão asqueroso não teria medo ou tato para fazer as declarações que Bolsonaro faz.

O tal Mito carrega um currículo que é de verdade recheado das piores e mais desprezíveis atitudes que um servo do povo poderia ter para com quem lhe deu o poder. A destruição da nação, das políticas de interesse público, dos investimentos no seu povo e na importância do seu país não tem nada de mitológicas. Elas são verdade e vão causar mais mortes e mais crateras no tecido social do que podemos supor. E vão demorar muito mais para serem desfeitas.  

dimanche 27 décembre 2020

Des a foro

(de 21 de maio de 2019, poema solto no instagram @bintjr)





A vida é uma merda

A vida é uma droga

A vida te lambe

Te leva

Te enrola e

Te dobra

Essa cobra

Na corda

Que pendurada

Balança

Sacode

Serpenteia

Sapateia

Samba e desanda

Maravilhosa

Entre a realidade

Que dura mais

Do que devia

E a fantasia

Que dá de balde

Nas lágrimas

Que temperam essa

Caralha

Que de tão louca

E sem pausa

É uma merda

Uma delícia de merda

Que se abdica

De responder

As dores

E se fascina

Em esconder as flores

Dessa joça

Moça e torta

Só há um pertencimento

E uma palhoça

Seu corpo


Suas Regras


Sua única morada


Carapaça


A Carapuça


A Caralhuça

De tudo que é

Seu movimento e a

Sua tumba!


Tomba não

Que amanhã

O sol desperta

E o café

Te aguça

E a língua

Espera

E a alma aperta

A solidez da solidão

Que saúda a

Companhia que

A palavra faz

Ao pensamento

E o pé esquerdo

Faz e não faz

Ao direito

E o amor solteiro

Que achava de só viver

E só tecer

Porque achava

Que não sabia amar...

Que idiotice

Idoentia moderna

Dos netos de Neanderthais

Dopados

Entorpecidos

Conectados

Numa desconexa

Alucinação coletiva


Aprende logo

Que amar não é saber


É sa-bor


Que não explode

De uma vez

Nem uníssono

Nem sintonizado

Vc esfrega

Movimenta essa energia

E ele só exala e exalta

E risca a língua da vida e do tempo

Do seu pelo ao seu posto


Amor próprio

Amor

Pró

Priô

Amordaçado

Pela sua auto

Consciência


Para tudo

Aparta e apalpa


Conjuga esse sabor

De ser amor

E se armar

De si

De só

De dó e ré

Que faça sol em ti


No espelho da memória

No espelho das horas

No espelho do agora

Brilha nesse caralho

Que gira e voa

Com 8 bilhões de solidões

Em volta de uma pedra incandescente

Se joga

Não se julga

Se amole

Se afie

Se desafie

Relativize 

Vi E vá


Corre até a beirada

E grita

E joga

Seu corpo

Pra dentro do seu mundo

E deixa ele esparramar pra fora

E que se fodam gostoso

Essa merda de vida e sua erupção gostosa

Se a gente não morreu hoje

Tem motivo pra gozar

Abre essa gaveta e deixa de ser besta

Que o calendário é cadência

E o tempo é parceiro

De quem sabe a hora de se tocar (Digressão desgraçada que escorre de um corpo cansado e de uma alma doada a música e a noite e alimentada de arte, dor e vida e garra e tesão)

Obrigado a cada show e cada ser que me cantou a alma!

mercredi 23 janvier 2019

2018 d'escrito

Tenho pensado muito sobre como parei de escrever, o quanto isso me afeta, o quanto eu deixo de cultivar pensamentos e afinar afetos.

Aí eu volto aqui no meio das crises de ansiedade e me releio, me compreendo um pouco mais e consigo respirar melhor, então vou embora dormir.

Mas a verdade é que eu não parei de dar umas escrivinhadas por aí. Elas só mudaram de mídia, pq o computador foi se tornando tão profissional que o lado pessoal agora habitas sofás e telinhas na palma da mão. Então num lampejo de ansiedade, resolvi olhar umas fotos do instagram, revisitar a mudança pra São Paulo, tentar entender o quanto vivi ou deixei de viver nessa cidade, o que registrei, o que curti, quanto gozei. E foi nessa investigação que encontrei uns d'escritos que poderia ter sido mais densos, maiores, ou só desse mesmo jeitinho como legenda de fotos por lá.

Acho que afinal os mosquitos realmente vão pra onde estão os holofotes, né?

--- 12 de janeiro de 2019

um dos fascínios mais bobos da relação niterói x rio pra mim, é a percepção das interações entre as montanhas daqui e de lado vistas da orla de são francisco e charitas! 😍
a outra q não está nessa sequência, e q nunca consegui registrar de fato, é ver o MAC como uma possível igreja qdo em determinada curva da praia das flexas, um alinhamento possível só dos bancos altos dos ônibus centraliza o cristo redentor, como se pousasse bem no centro do telhado do mac, em proporção de cruz de topo de igreja! paróquia da nossa senhora da indiscutível arte contemporizadora das crenças chulas e fés de açúcares mais garridos!


--- 23 de dezembro de 2018

E em 2019 vou emanar bastante arco-íris pra enviadecer os conservadores fiscais de cu que não lavam suas próprias louças nem roupas, seus próprios cus, nem seus próprios paus e querem enfiar-se nas liberdades alheias!!! mal passam suas próprias roupas, nem cheques, mas colhem seus próprios laranjas pra foderem-se em seus lugares! pq nem isso fazem! não fodem! só atazanam a existência alheia mesmo!

a deus, seus cegos fiéis seguindo podres profetas!

--- 8 de novembro de 2018

Escrevi uns acrósticos poéticos também - https://www.instagram.com/elenaosuporta/

#elenaosuportapoesia

Enlouqueci
Loucamente.
Esperava
Nada
Além.
Ostracismei-me

brincando ofereço meus fracassos ao mundo.
ainda espalharei lambes de cola ou linguaradas por aí!

--- 4 de novembro de 2018

se vc trabalha somente pra manter seus privilégios e proteger só as suas posses, vc trabalha para a manutenção da miséria.

vc é quase um parasita social. trocando seu tempo por coisas e valorizando ter mais coisas em contrapartida da pobreza e miséria alheia! não há bolha pessoal q não interfira na vida social, de todos! o mercado de luxo e o mercado do medo, ou de segurança e de proteção dos seus bens, mantém um sistema que de alimenta de vidas cada dia mais desgraçadas. E pra completar, o Brasil elege um fascista pela defesa de uma instituição falida e fadada a fechar-se pro mundo: a família que crê numa moral divina operada por oportunos homens sedentos por poder e manipulação, que desejam repelir ou apagar quem se oponha ao seu projeto de dominância.

a realidade é um delírio. uma alucinação coletiva navegada, entalhada ou escrita por uma "suposta" maioria delirante ou convencida. que aponta a arma para outras vidas, repetindo um discurso como quem balbucia uma música que mal entende, levado pela dormência de uma vida medíocre, distante da liberdade de um pensamento crítico.

--- 14 de outubro de 2018

Trechos de tentativa de não surto, postado no medium (que traição ao blogger... hahaha) https://medium.com/@bint/tentativa-de-n%C3%A3o-surto-xiii-b03f208f675c

 Não coloque sua religião acima de todos os outros cidadãos. Somos 220milhões num país de extensão continental. A pluralidade deveria ser nossa maior riqueza, portanto não enfie seu deus e suas crenças em ventres alheios, não impeça o amor entre duas pessoas porque sua moral filosófica/espiritual foi catequizada em nome de um ser supremo cuja voz só se ouve através de outros homens. Amar a todos como a ti mesmo não é amar somente aqueles que são como você, que concordam com você, seu espelho e sua fôrma de concessões e acordos sociais. Aprenda o amor que dá espaço, que regozija na liberdade do outro, que dialoga para crescer junto. Amar a todos como a ti mesmo é nutrir um amor pelas diferenças, suas, internas, e dos outros, alheias e plurais. É aceitar-se plural e amar a pluralidade no outro. Se algum catequista lhe convenceu do contrário, reveja essa intermediação entre sua fé e seu deus.
[...]
A corrupção não tem nada a ver com o dinheiro, tem a ver com o corrompimento de seres humanos, como eu e você, que, empoderados por seus cargos, desviam sua moral do foco que deveria ser a garantia de bem estar e dos direitos da população que de alguma forma os elegeu. E seu candidato que inflama de ódio tantos agressores, já está corrompido no desamor e violência que aprova contra as diferenças, os diferentes, como eu e como você também.

a partir de hoje eu viro uma ostra em processo de detox de facebook, instagram e whatsapp. estarei pelos cantos ouvindo alegria alegria.

Desejo que sobrevivamos até o dia 28, e que aprendamos muito com esse processo, para seguirmos vivos depois desse segundo turno. Pq os remendos aos feridos e machucados vão precisar de muito mais que uma ceia de natal para sararem.

--- 8 de outubro de 2018

Trecho de Preciso falar, preciso ouvir, postado no Medium - https://medium.com/@bint/precisofalar-precisoouvir-b14198661ec8

Afora a natureza que nos abarca, da qual somos animais integrantes e como outros, também responsáveis (ainda q errantes) pela manutenção do ecossistema, todo o resto foi convencionado pelo ser humano. As leis que obedecemos e questionamos, o dinheiro que usamos e produzimos com suor de nossos suvacos, a dormência de nossas bundas sentadas ou a dor de nossas pernas cansadas e os calos de tantas mãos atarefadas, as modas que seguimos, as. escolhas, encolhas, cidades, ficções, mentiras, memes, a história é vivida e escrita pelo homem, pela mulher, pelo ser humano!

E girando em torno de um astro incandescente, habitamos essa pedra que mais água tem que terra e que gira no próprio eixo enquanto comporta quase 8 bilhões de indivíduos (todos fecundados por um óvulo e um esperma e geridos em um ventre, t-o-d-o-s nascidos das mulheres) divididos em centenas de nações, falando e vivendo milhares de idiomas e culturas que se entrelaçam e evoluem da mistura, do respeito, da busca pelos pontos de harmonia!

--- 26 de agosto de 2018

seria de.mo.rar a morada d'um tempo que não passa e que matura sem aturar o atrito ordinário do cotidiano? vez ou outra explode em mim um demorar aflito pra ser entendido! afoito pra ter existido! quase como uma foice que rasga sua saída, um broto que nem lembra que foi semente, buscando uma síntese qualquer na luz dos olhos alheios!

--- 27 de julho de 2018

abrace sua transformação nesse eclipse!!

--- 6 de junho de 2018

svuvs - se vive uma vez só
usvuv,su - usted solo vive una vez, solo una(rs)
ovsuf - on vivre seulement une fois! (rs2)
yolo - you only live once
92 dias de sp
frio
idas ao rio
3 'casas'
still no job
trying to stay cool
and keep things magical
tough decisions brings new horizons and unknown feelings
quando tá escuro e ninguém te ouve
qual seu grito de guerra?
que vela ce acende pra luz brilhar refletida nos seus olhos?
que perguntas o espelho te faz?
de quais ce foge e pra quais se borda respostas?
quando transborda o medo, que abrigo te aquece?
quando a rua esmaga, em que esquina te entregam o panfleto do teatro mágico-entrada só para raros?
que peito anseia teus sufocos?
que anseio peita suas incertezas?
que insônia brota do teu corpo?
que travesseiro afaga teus medos?
e onde afia tua lâmina que separa o louco da realidade?
sei lá, mil noites de insônia
mil coisas
mil jeitos
e a milenar dúvida sobre-viver.

--- 22 de maio de 2018 - pós festival path com palestra do indiano Sri Sri Ravi Shankar.


no meio do caos e do céu nublado, pare, respire e sorria! você já tem o que precisa para estar feliz.

--- 30 de abril de 2018

a vida se põe o tempo todo!

--- 20 de abril de 2018

fazendo bainha. atualizando a poda. aparando umas ideias!

A semana começou pesada - tentei uma sessão de selfools pra amenizar a insônia, ansiedade, solidão. Amanheci derrubado pelo resfriado trazido pela queda de temperatura. Uma tosse irritante desse tempo seco de são paulo, uma catarreira de arrancar o nariz a cada espirro. E a vontade de escutar, curar e cortar o cabelo tava ali buzinando no meu ouvido. Corto o cabelo há mais de década e, mesmo que não faça nada exemplar ou com muita destreza, considero esse um momento de encontro, de eixo, de encarar a auto confiança, reavaliar a auto estima e acima de tudo, calibrar o bom humor... pq se der merda, no mínimo darei boas risadas.

Cortar o prório cabelo, pra mim, é um processo de aparas. Passo uma semana acertando arestas que não tinha percebido. É se enxergar de ângulos que só os outros conhecem. É jogar com espelho, com a tesoura, conhecer a própria nuca. E desse processo sempre saio acreditando um pouco mais em quem eu sou e no que posso tirar ou compor nessa vida.

É o momento de música alta, tesoura de microfone e bobeira total, mas é solitário e todo meu. Um tempo de companhia própria, reconexão sem testemunhas. Bom... a menos por esses registros que senti necessidade de postar. Em 20.04.2018, talvez tenha feito - não recordo ao certo - 14 anos que vivi essa primeira experiência. 2004 - 2018.


vendredi 18 août 2017

temofomo ou tamofu

temo que o pior da vida seja a obrigação de vivê-la todo dia. ou seria o melhor?
mas e o como se fosse o último dia?
isso é coisa que pesa.

leveza pra mim é pensar que em qualquer dia, seja o último ou não, cabe preguiça, cabe devaneio, cabe acaso ou aventura, amor ou suor de tesão, pé frio e banho quente, louça suja - pq não? - e aquela bagunça que ignoro por litros de tempo.

cabe a penteadeira, cabe música chata, cabe música que alegra os músculos e faz as articulações lembrarem o que é vida, mas bem perto disso tudo cabe aquela urgência que sufoca.

acabei de ler e aprender que temo o fomo, além de temer que o temer continue por mais tempo a destruir o país - e veja bem, a maior destruição, que pouca gente dá bola, não é o que ele faz, mas o que ele permite que outros se sintam no poder e no direito de fazer, é o mal exemplo passando por normalidade aceitável, normatividade. FUCK.
toca antony and the johnsons. há 450milênios não ouço essa voz tão acariciadora de medos e dores e bam! o shuffle do spotify da lista recém criada a partir da rádio automática da música Feeling Good traz esse rapaz de volta à memória. Engraçado que venho pensando em fazer uma lista de artistas musicais e bandas que minha memória alcançar - isso mesmo, sem consultas - e tenho quase certeza q não lembraria do antony. =/ triste, né? fiquei!


E o fomo?




Fear of missing out, é esse óleo de motor velho e queimado que faz a vida ter um desempenho pior do que poderia. é o se importar demais com a consciência de que existem 7 bilhões no mundo, uma coisa meio amélie poulain que se diverte contando orgasmos ouvidos pela noite da cidade luz, só que mais doente, mais dormente.

é o medo da mediocridade. medo de que amanhã tenha um show dos novos baianos (e vc ainda não conseguiu ver nenhum) e vc não tenha dinheiro pra ir. E amanhã - que é hoje, pq já virou a zero hora do relógio - tem mesmo e o dinheiro falta de verdade e isso dói, mas não como o FOMO.

O fomo seria melhor ilustrado se o show fosse nesse exato momento e eu tivesse a certeza (incerta, pq seria só uma alucinação da minha cabeça) de que todos os meus amigos mais queridos, conhecidos de bar, boas prosas e os mais gatos e alternativos, politizados, e possíveis futuros maridos e solteiros estariam se divertindo pra caralho, agora mesmo nesse show.

é o medo besta de que a sua vida ordinária está sendo desperdiçada com esse texto enquanto se descobrem coisas incríveis!! Sei lá, tipo curas pra idiotia humana, pro câncer, pra aids e a erradicação completa dos pensamentos nazistas e fascistas, tudo ao mesmo tempo agora e você não é parte de nenhuma dessas grandes mudanças.

é estar preso numa noite nublada em dia de eclipse lunar, ou de blue moon ou daquela lua cheia vermelha maravilhosa.
certo! tudo existe de forma muito mais bonita na nossa imaginação. E não presenciar, portanto, essa hipérbole da realidade idealizada, é dado como crime gravíssimo e tem como castigo a mais profunda e imensa sensação de insignificância e falta de sentido em continuar vivendo.

como disse no início

temo que o pior da vida seja a obrigação de vivê-la todo dia como se fosse o último dia ou como se precisasse ser o melhor.

a ficção alimenta os ideais e contraideais de vida, mas as redes sociais, alimentadas por nós, potencializam a farsa. e vice-versa ou vice-verso, que no caso parece o melhor a se fazer.
a leveza exige um power off, um fail to connect, um reboot de atenções.

um monotasking tal qual um lavar de louças. um talher por vez para não quebrar os pratos que giram em nossos ombros e cabeças, amparados por varetas que desconhecem verdades.

para tudo. olha pro teu sul. ⬇

e tenha certeza que ele está em solo seguro. ainda que parado numa pedra que roda pelo espaço enquanto dança faceira com uma pedrinha satélite.






aproveito e recomendo essa série, essa música.

jeudi 23 mars 2017

não linearidade.
acessos a eus q não chegaram, que já passaram.
tempo empilhado, ciclos, alternâncias, palíndromos e ambigramas.
dois lados, todos os lados, o que é lado?
fumaça e imersão. expande, dissipa, envolve, ocupa.

linha do tempo pessoal.
já parou pra sobrepor a história da humanidade, da tecnologia, das artes, do entretenimento à sua?
já parou pra desembaraçar a sua história?
numa exposição de arte, me pego observando a linearidade temporal das criações, sobrepondo vidas, territórios, tentando entender onde estavam, com quantos anos, em que momento, com qual sensibilidade?
retratos de tempos que passaram... será? bootstrap, retroalimentação, referências, movimentos, coleção, absorção...

validade ou validação?
significâncias ou significados?
nada prova nada! e aquilo de que se tem certeza, pode dissipar ou expandir.
era mais ou não é mais nada.

quando?

pega um papel e 15 minutinhos lineares, q podem ser 3 horas também. depende de como se conta.

escreva aí, numa coluna, de 69 a 99. siga de 00 a 39, ou até onde quiser.
próxima coluna.
marque o zero no seu ano de nascimento... siga crescendo até hoje ou até quando quiser.
lembra do ano q se formou no colégio, marque a série e volte até o ano em q entrou na escola (quando e quanto mudou de escola?). nessa coluna complete com demais formações, cursos, faculdades...palestras marcantes...
próxima coluna, empregos...
próxima, locais q habitou...
namoros.... amizades.... viagens.... marcos da memória viva, q tem cheiro...
morte dos queridos... nascimento dos importantes.... marcos históricos, presidentes, tecnologias (quando e qual foi seu primeiro celular?), séries, filmes....
siga na infinidade de informações que lhe convir ou acalentar...
faz sentido esse tempo q não para pra ninguém, q não começa nem termina, mas oscila?
quem é vc hoje e o quanto é produto ou produtor do que te cerca, do que irrita, do que te exalta, do que te faz vibrar ou urrar?

surtos q se encaixam, a madrugada e o filme...
e o dia que partiram e A Chegada!

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aflição é o desvio da atenção da orquestra toda para um único instrumento.
E a gestalt taí. ensinando que apesar das partes, existe o todo e vice-versa.
quando estiver aflito, expanda o pulmão e a visão.
tem mais grãos sob seus pés que apenas essa pedrinha que você se apegou e tá apertando aí na sua mão suada agora!
relaxa e extrapola! desconfie de que possui apenas 2 olhos. o sentido sobrepõe a ferramenta.

mardi 4 octobre 2016

textão de privilégios e direitos


alerta textão!
(work in progress)

Quando se nasce em uma família de privilégios, de quaisquer tamanhos, existe uma tendência da naturalização desses privilégios enquanto direitos merecidos, e dos direitos básicos enquanto privilégios herdados. O acesso a educação de qualidade é um direito básico convertido em privilégio daquele que pode pagar. A saúde, através do plano pago, idem. Segurança para ir e vir é direito básico particularizado, privatizado, pago. Seja em condomínios, na porta da escola, do aeroporto, estações de metrô ou rodoviárias, na porta dos shoppings, do restaurante, o segurança da rua, que cuida para que não violem os carros, o carro blindado. O bom advogado. Direitos pagos, portanto privilégios de quem pode pagar. O ir e vir sem necessidades, o consumo diário sem contar moedas, a vaga garantida em empregos, em universidades, o ter voz, ser ouvido, o respeito, a insuspeita, a permissão de entrada em lugares, as viagens, compras extras, comida e roupas da moda, o conforto, o acesso a tecnologias e informações, conhecimentos, outras culturas, a multiplicidade de opções, escolhas, a compreensão da lei, a interpretação tendenciosa da justiça, são privilégios garantidos por mais que o dinheiro, mas muito por conta dele. Do asseio, da imagem, do comportamento espelhado no entorno que ele proporciona.

Privilégios entendidos como direitos merecidos.
E nessas inversões, os desprivilegiados, também dos direitos básicos, tornam-se figuras, no espelho da ganância, vilanizadas, usurpadoras, aqueles que ameaçam direitos e privilégios apenas por não os possuirem e por eles lutarem. Malandros, preguiçosos, bandidos, ladrões, violentos, avarentos, desejosos do que não tem, porque o estado não provém, e garante que nunca terão. O privatizar aumenta a fenda, aumenta o abismo, fortalece a manutenção dos privilégios através da manutenção da miséria.

A precarização de serviços básicos é um programa de governo que enterra massas (minorizadas pelo poder do capital) com falta de estrutura e mantém minorias privilegiadas (masterizadas pelo poder de compra) como pagadores sorridentes do que deveria ser gratuito e direito de todos.

A arrecadação do Brasil atenderia a todos, a mais programas inclusivos, a dignidades e acessos, se a bacia não tivesse furada pelos desvios, se o dinheiro público não fosse entendido como menor que o privado, como aquele que se destina aos menores, logo não precisa servir ao que se propõe, afinal o povo nem sabe porque vota, quais são seus direitos. Desvia-se o rio que ninguém vê, desmata-se a floresta que ninguém habita. O poder e o controle da magnanimidade de um país cujas dimensões são imensuráveis ou pouco concretizadas na construção de um pensamento popular, leva a um sequestro de riquezas que pouco se tem clareza das aplicações.

Esse sequestro dos valores, do investimento no básico, produz os meritocratas desumanos, que reclamam sentados em seus carros, aconchegados em seus tetos confortáveis e adornados, dos programas que não atendem à manutenção de seus salários e consumos. Também produz alienantes crendices que colocam entidades religiosas em papéis de usurpadores de uma massa pouco crítica, enriquecendo charlotonices espirituais em nome de uma salvação da miséria gerada pela própria manutenção dos privilégios.

Salva-me de ser aquele cujas políticas do país criou e estampou a vilania como saída natural à sobrevivência.

Anotações de memória dos últimos tempos, das últimas lutas.
Entendimentos carentes de respostas concretas, mas em constantes atualizações e reformulações.
Com tempo as atitudes podem mudar, ser diferentes.
Vamos fazendo com consciência e busca por justeza (porque justiça já virou outra coisa).

Alerta o textão chegou ao fim!
atenção sempre!

Para ler tb
https://awebic.com/democracia/ninguem-e-a-favor-de-bandidos-e-voce-que-nao-entendeu-nada/

dimanche 26 juin 2016

pá de tempo - aterro e sufoco

2 anos sem postar jamais serão 2 anos sem pensar, sem viver, sem querer dizer muita coisa.

Acho que não tenho escrito por falta de filtro, foco e vontade de organizar os pensamentos.

me sinto afogado, quase o tempo inteiro. intervalos de leveza recheados com finas camadas daqueles momentos de cabeça pesada, pós piscina, ouvidos cheios d'água.

Então vasculho baús digitais e encontro isso:

logo logo é um tempo que não existe
o tempo não é linear. é empilhado, lembra?!
vc é agora o que sempre foi sempre. o mesmo de todos os frames (como num filme) sobrepostos
a vida só acontece pq nossa sensibilidade é fraca e não acompanha mta coisa de uma só vez
então vamos pescando na sobreposição dos segundos, um galho pra nos agarrarmos


otaviomoreira:  aajahahahha
cara
vc é mto doido
ahahahahahaa
pior de tudo
é que faz sentido

 :  tudo faz sentido, quando se escolhe as palavras certas

a abstração não faz o menor sentido, mas experimente metaforiza-la, ou exemplificá-la e Voilà!!! a imaginação cria as imagens e conseguimos entender o sentido inexistente através do abstrato comparado.
hahahah
chega né



Não sei se já havia postado aqui antes, nem quero parar e procurar, mas o fato é que essa teoria do tempo empilhado faz – sempre que a encontro – muito sentido.

E serve absurdamente, nesse momento, pra exemplificar minha sensação de sufoco.
A pilha do tempo de soterrou.
Sei que não estou no mesmo disco do presente, mas consigo vê-lo e saber que a pilha avançou.

Então me sinto esmagado, ali em algum momento do passado. Sentindo tudo, todo esse peso de tempo que se sobrepôs ao momento onde ficou minha cabeça - que não sei muito bem em que ano está, só sei que não está no agora, nem parada em um único tempo - acho que se espalhou feito gema mole por uma pá de momentos e anos passados. E feito lava se esparramando, a angústia aumenta. ¬¬'

E aí penso nessa solução pra tudo, a maior parte dos lúcidos momentos do meu dia.



mardi 15 avril 2014

Parte de um papo d'altsapp* com a Lee

só se ficar velho signficar ser mais carregado de lembranças! ter mais associações na cabeça e caminhos de sinapses absurdos e inimagináveis! hahah

acho q tem gente que carrega consigo um saco sem fundo c cadarço na ponta e gente q carrega um baú aberto, ou uma cestinha de vime pra colecionar a vida! e deve haver vários meios termos entre esses dois!
o do saco, joga tudo q experimenta lá dentro, fecha, acha q já viveu e parte pra outra. quase nunca para pra olhar o q tem no saco.
e o do cesinho ou baú aberto, tenta manter tudo à vista! vai fazendo arranjos, mudando algumas configurações..
levanta castelos de cartas
ou agrupa em pilhas algumas experiencias sem conexão.
Mantém como q um jardim numa cestinha de bicicleta onde casa vivências e as vê florescer e frutificar!

----

daquelas pessoas especiais q mesmo via 'altsapp' consegue puxar ideias da minha cabeça q mal suspeitava, ou retratos q pintam um dos meus dilemas comportamentais mais sérios!
tudo deve caber na cestinha e valer a devoção? ou melhor manter o saco por perto? claro! equilíbrio é essencial, mas e o discernimento da triagem? e a dificuldade reside na abstração dessas coisas! na delicadeza do entendimento abstrato. dessas coisas q o verbo não dá conta!


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lundi 14 avril 2014

doismilequatorze aos trint'anos

ficar muito tempo sem escrever faz mal à saúde.
Eu deveria colar isso na testa, com cuspe, pra relembrar toda vez que me olhasse no espelho ou que precisasse renovar a cola de cuspe.
o mesmo vale para ler um livro, bom ou ruim, geralmente é difícil fazer esse julgamento sem percorrer todas as páginas.

de fato não ando bem de saúde, ou de cabeça. nada diagnosticado por algum profissional da área médica, é auto diagnóstico mesmo e nada tem a ver com dr. google e seus links que enlouquecem os hipocondríacos.
sabemos quando a conexão entre mente e corpo ou mente e mente não anda nos melhores dias. nem sempre queremos encarar de frente, mas no fundo, naquele momento de silêncio com a cabeça no travesseiro e a luz apagada (que pode durar segundos, minutos ou horas extenuantes), simplesmente sabemos!

madrugada de domingo para segunda (tecnicamente madrugada de segunda, mas na real sempre confundo essas separações que ocorrem entre a zero hora e o amanhecer seguinte. pra mim são como intervalos isentos de nomeação. parecem todos igual) na tela ao lado toca lou reed seguido de freddie ou velvet seguido de queen. janela aberta, ventinho de noite suave num dia de calor com chuva, que vem como o suor de um exercício físico, prometendo regular a temperatura, mas que de fato faz aumentar nossa sensação térmica, além de deixar as coisas um pouco mais meladas - ou melosas pra quem vivencia uma chuva na companhia do tédio.
no prédio ao lado um vizinho arrisca uma prática musical com notas repetitivas que soam como saídas de um bandolim - ainda que a noite avance pela primeira metade da uma hora de uma segunda-feira.

por dentro sinto cacos que cortam ou confortam, cicatrizes que insistem em não curar e outras anestesiadas por alguma esperança que pisca como um vaga-lume.
dos últimos meses tento colecionar poucos post-its sentimentais. alguns bons momentos de carnaval, algumas memórias sexuais e aquela implicante sensação de barco à deriva.
os contatos com a rua diminuíram, os contatos com ambientes herméticos também, então não consigo decidir se o saldo é positivo, negativo ou equilibrado.
os contatos com os desejos se tornaram piores que uma inútil briga com um enxame de abelhas sem ferrão. são milhares, pipocam, me tocam, vagueiam, retornam com mais força, me levantam num ritmo de dança que faz cair de cansaço, mental apenas.
nada muito diferente de alguém que sempre vive em rotações diferentes entre ação e vontade.
a música toca na cabeça naquela velocidade que torna cômica até a mais doída das canções de nina, já o corpo dança mais lento que regininha dando vexame num vídeo viral da revista caras.

acho que cortaram a energia que deveria ligar meu cérebro às minhas mãos por falta de pagamento de alguma conta.
aliás, as contas tem sido um medo constante desde que me mudei de mim.
mudei prum espaço melhor, compartilhado, mais em conta.
mudei pruma cabeça mais chacoalhada e caótica, preguiçosa e afastada dos laços que fazem doce a vida cheia de camadas polisaborizadas.
mudei pruma cabine que suprime a autoconfiança. ou esconde.
o ar parece rarefeito pra essa área da razão ou da emoção.
procuro por terapias de convencimento (certeza q tem outro nome, mas com preguiça de checá-lo), descubro que há algumas vertentes que acreditam na reafirmação verbal de elos cretinos de autojulgamentos. certa vez escrevi no espelho de meu quarto (um que ainda tenho, mas sem as palavras) 'você pode reclamar ou pode mudar! e aí, qual vai ser?' e digo que adiantou na época. Mas dessa vez o problema não é reclamar… a vitimização atingiu camadas menos verbais, mais internas. Talvez seja algo classificado como processo de amadurecimento ou de endurecimento. sempre achei curiosa essa rima do duro que pode vir com 'ma' ou com um 'mais' na frente.

resolvi voltar a escrever pra resgatar uma fluência digitadora que me assustou em vários outros posts dessa caixa virtual que eu chamo de blog.
até agora ela não apareceu.
foram 34 minutos pra chegar até aqui.
em dias que só repousam na minha memória 34 minutos teriam rendido umas 4 laudas cheias de fascínios e amor pelo mundo ou de curiosidades poliânicas ou satânicas por coisas que jurava que aconteciam por uma mágica de luas, de gravidades e órbitas interpessoais.
mas agora, na caminhada de ponta dos pés rumo à tampa que fechará meus completos 30 anos de idade, 3 décadas, parte desse brilho é externo. é uma luz de monitor e outra de teto.
é energia de concessionária, de tomada e só.

o afinco se foi, enfraqueceu com alguns trancos dos últimos anos.
ideias que não praticadas foram apenas bolinhas de tênis perdidas numa partida em looping.
práticas que falharam e me tiraram um pouco do tesão de tentar de novo.
confluência de vidas, de rios, que não resultaram numa pororoca impressionante.

e hoje, na baliza dos pensamentos mal guiados concluí (num banho que me fez picar parte dos cabelos que ainda se seguram firmes ao meu topo) que chego aos trinta com muito atraso de vida. como se chegasse aos 30 com muito dos 25 e quase nada do que planejei ou do que vendem como sendo TRINTA ANOS. não casei (no sentido amoroso da vida de vivenciar uma boa história de trocas emotivo-sexuais), não alcancei um clímax ou um degrau alto profissionalmente (e no meu entendimento esse degrau seria aquela sensação que traria a mente a frase:PULTA! Faria isso pelo resto da minha vida! Feliz e apaixonadamente… hahaha!! não sou tão idiota de achar que todos os dias seriam maravilhosos, toda embriaguez tem suas ressacas, ou necessidade de férias, como queiram chamar!), não atingi um amadurecimento corporal, de conhecimento da própria casca à exploração máxima de suas potências, ou mesmo na aparência, ainda não fiquei calvo demais ou com barba digna de um trintão. e não me empenho tanto em autoconhecimento diário como teoricamente eu prego que deveria fazer.
Sei que tudo isso pode chegar mais tarde, que virá em seu próprio tempo, que não existe uma vitrola rotacionando todo ser humano num mesmo ritmo, mas percebo que ainda vivo numa idealização comprada e constantemente reafirmada de ritmo de vida, de valorização e explicação de vida, sabe? e é isso! foi essa conclusão que me trouxe ao teclado, não sem antes vagar por horas entre sites nada vitais ou atividades não programadas na minha agenda atrapalhada de trabalho.
(usei baliza só porque lettuce canta esssa música à 1h39min de uma madrugada intervalo entre domingo e segunda.)

escrevo aos bons sons pra tentar reestabelecer uma conexão com passados e novas conexões com descobertas que precisam ser escavadas e montadas com minha própria pele e meu próprio jeito (inocente!) de orar! (no sentido de escrever: formar orações em sequência inteligente ou compreensível!)

Então é isso! Primeira pílula (na verdade segunda… ou décima, já que venho lendo alguns livros aqui e acolá pra despertar experiências in/ex-ternas que só provém da degustação de páginas).
Veremos no que dá.

Um beijo de boa noite.
um abraço apertado.
um lembrete:
ficar muito tempo sem ler ou escrever pode ser prejudicial a saúde.
ou numa tradução que me ocorreu rapidamente… perder o contato com a narrativa, seja a própria ou a alheia (impressa ou falada) pode ser prejudicial à saúde mental.

até.

p.s.: hj me matriculei numa academia, pela 3ª vez na vida. veremos se dessa vez passo do 4º mês.

mercredi 5 février 2014

absurdo!



EL JUSTICIERO CHA CHA CHA


Esse fato do rapaz preso pelos 'justiceiros' e todas as opiniões que vi pipocarem na minha timeline me tiraram alguns chãos, chacoalharam incertezas e quebraram vidraças da minha imaginada sociedade de vidro, carne, contradições e 'bons sensos'. e confesso que esse texto me trouxe um pouco de conforto. (como a opinião da Talitha Ascoli que li ontem!)

essa justiça com as próprias mãos é um perigo, em qualquer nível.

concordo que eu seria um assassino em potencial se tivesse armas na mão em momentos de raiva. quem me conhece provavelmente já me ouviu dizer da vontade de apedrejar os ônibus que me sacaneiam quando passam sem parar pelo ponto, pra citar o mínimo de fantasia que vivo nesses momentos (sim, pq consigo ver a pedra atingindo o vidro e depois a cabeça do motorista).

e é bom que lembrem que aqueles atiradores adolescentes que promovem chacinas em suas escolas também estão buscando 'justiça' com as próprias mãos contra anos de ambiente hostil e bullying sofrido.

e acrescente na soma o estado omisso, os preconceitos de classe, de raça enraizados na sociedade brasileira (esse microcosmo que é muito mais complexo que sua reunião de condomínio), a cultura dos super-heróis justiceiros, a faxina social consentida pelo seu silêncio e inação, a coisificação dos seres humanos, a valorização do bem material, do dinheiro sobre outro ser e vc terá um cenário onde uma pessoa vale menos que um trauma de assalto e um iphone perdido. se vc usar o trauma do roubo como justificativa pro espancamento e pro 'encoleiramento', terá jogado no lixo a mesma lei, que ainda que tenha falhas de aplicação, vc defende quando lhe convém.

E se vc vivesse na lógica de uma sociedade que condena o sexo antes do casamento e oprime violentamente as mulheres que anseiam pela liberdade dos seus desejos, então um estupro coletivo decidido e executado em praça pública seria sua justiça com as próprias mãos, não? justificado pelas suas crenças.

a parte todas as diferenças culturais e religiosas, se pergunte um pouco sobre os limites do seu sentimento de humanidade (e onde vc o aplica).

bom, não importa o quanto vc paga pela sua segurança, isso não te faz imune ou não te protege numa bolha do resto da sociedade. fugir o quanto pode e ignorar o quanto consegue não conserta os problemas, nunca consertou.

e só pra tentar fechar uma linha de reflexão, daquelas q não se tem todo dia, quando vc é assaltado e morre de raiva e tem vontade de ferir ou revidar sobre o fdp que lhe tirou parcelas do seu suado trabalho, lembre-se que não é pessoal, vc e ele fazem parte de um mecanismo mais engenhoso, falho e como disse o autor do link, orgânico do que naquele momento vc pode supor, qual seu papel no jogo de poder? como vc se relaciona? achar q não se relaciona, não te isenta da culpa pela repetição, deturpação de valores e cultivo de preconceitos. óbvio q tudo isso na minha opinião. opinião de quem falha, também titubeia e se omite frente à muitos erros humanos e sociais no dia a dia. as respostas e soluções pros problemas do dia-a-dia (pessoais e coletivos) não vem com receita e nem ficam prontas com 1minuto no microondas, as we wish!


[postado originalmente no facebook]


dimanche 19 janvier 2014

mudo

que não faltem energia, vontade e impulso para que mudanças ventem em mim e no calendário troncho por onde passeio!!


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mardi 5 novembre 2013

lampejos de insônia

Acho que nasci(emos) na época da construção dos conglomerados.
Dois gráficos deste link (que me despertou todo esse arranjo a seguir) mostram movimentações de 80 e 90 pra cá.
Acho que nasci(emos) na época da construção dos conglomerados.
Dois gráficos mostram movimentações de 80 e 90 pra cá.

É muita discussão, ensino e aprendizado, venda de livros, buscas incansáveis sobre como VENCER A CONCORRÊNCIA, enterrar o adversário ou FUNDIR e DOBRAR OS LUCROS.

Quem tem tempo de plantar, criar, construir com as mãos, compartilhar quando trabalha pra comprar? e pra comprar o seu!? pra si? Quem quer tempo pra isso, pra si, pros outros, se a troca for por um menor poder de compra?

Não compramos nada além de ilusão.
"The Illusion of Choice"

Isso me fez lembrar o cancelado seriado Touch e sua ilustração de uma mega empresa que raptava 'inteligências' pra dominar o mercado através da descoberta de um algoritmo 'sagrado' capaz de prever padrões comportamentais, econômicos (o futuro) ou algo desse tipo. Era citado como a sequência de Deus.

E o que fazemos online senão fornecer dados de consumo, interesses, expectativas, em suma comportamentos de quem trabalha pra comprar!?

Quando vc escolhe uma carreira, uma graduação, uma visão política, quando você escolhe um produto, vc é uma célula de atuação econômica, social e política. Parece tão claro que não entendo quando alguém se faz de rogado.

A ignorância é benção mesmo, pra quem tem medo de se ver fora do controle da própria vida.

No hay banda. No hay controle.

Eu, como qualquer outro, anseio pelo consumo, seja de um produto físico, de uma ideia, de um ideal, de um estilo de vida, de um pedaço de tempo/espaço/ações pra chamar de meu.

Passar pela vida sem fazer cosquinha no mundo certamente não é passar pelo mundo sem ser atados em algumas cordas, sem receber alguma atenção das estatísticas.

Sabe o jargão :você não está preso no trânsito, você é o trânsito!: Então...
Não há sistema! Você é o sistema. Peça fundamental de um arranjo 'impossível' de se enxergar macroscopicamente, 'impossível' de entender microscopicamente.

Enquanto isso vivemos em busca de prazeres e entretenimento. Um preenchimento anestesiante dos dias. Algo que faça valer a pena as suadas horas em que nossa bunda fica sentada trabalhando pelo dinheiro que cairá no fim do mês.

é mta paranóia? sei lá. Mas não há outro mundo, né?
Isso me lembra da incrível Besta é tu dos Novos Baianos (de refrão martelante e cadência sensual que pergunta fazendo carinho de pena que sacode o corpo - Porque não viver? / Não viver esse mundo / Porque não viver? / Se não há outro mundo / Porque não viver? / Não viver OUTRO mundo...)
E da felicidade proporcionada pela interação social/afetiva com alguns poucos que vão cruzando meu caminho, (ultimamente e) quase sempre através de um bom lubrificante social alcóolico e gelado!

Afinal, o que servem as mesas de bar, senão pra discutir visões de mundo?
O que acham? Quem topa uma gelada pra falar mais do assunto?

lundi 15 juillet 2013

desapega da culpa, da depressão

é um medo grande
é um dissabor da vidadulta
é um remelexo d'outrém, d'outrora, d`amém.

um descompasso no peito, na alma.
uma concentração desconcentrada de atos, de afogados
de tanto que o fôlego falta.

é um sabe-seláoquê que trança os sentidos
me tirando o sentir.
uma suspensão de ar pelos rins, fígado, intestinos.

uma suspeita que tudo dará errado,
ainda que calce os sapatos que dançam.
é um passo que parece falso, tendencioso.

uma quimera quebrada, um encanto rogado
uma macumba que chutei no sonho
e respingou deixando rastros.

o tremelique que entremeia os pensamentos
disfarça os olhos num perdido sem volta,
revela um lado escuro, ainda sem forma.

é um caco que entrou no punho
uma farpa no pé e uma choradeira
que de entalada sai em latas.

são lágrimas estúpidas,
salgadas, salmoura d`alma
sem restos ou diafragmáticas.

são dedos perdidos,
são perdas que ainda
não sei contar nos dedos.

os ônus parecem afastar
um possível b inicial
de bosta posta à prova.

é a bala que não passou
por mim, mas me atingiu.
achada por cliques, sentida no arrepio dos pelos.

é um peloamordedeus que não quero gritar
ou quero?

é aquela sensação de que ela
a vida, não dá pontos, só nós.

é a cegueira da má gestão de ideias.
é a surdez da inocência rasgada
é o tremor do errante sem estratégias
o arrepio frio de narinas incendiadas
pela liquidez do tempo mau marcado.

é a falta de ritmo na bateria do pulso
a nuca travada pela covardia
o formigamento da pura preguiça
química que amolece
corpo que adoece.

é o calcanhar que teme a falta de chão
o salto que quebra sem humor
o riso nervoso de quem estupidamente
não entende mais porque está aqui
ou porque as coisas estão como estão.

é o desmemoriado que nunca leu
nunca soube, nunca quis saber.
é o mais puro pesar
sobre ombros que não se crêem fortes.

é a falta de crença no hoje
a falta de abstração pro amanhã
é a falta de ontem.

é o véu de toneladas
o cílio de chumbo
o lábio de cola

é uma sensação ruim
descrente da ação
descrente do dentro
descrente que haja
um fora habitável
ou um qualquermerda no comando.

é a ressaca de uma vida
cuja redoma descobriu-se
quebrável
insustentável
imóvel
ingrata.

--

é a sensação inegável de que fiquei mais burro, ou me mantive sempre burro.sempre afagado por objetos frios. sempre inculto, soberbo, sobrevivendo de uma subvida.
a sensação de que não fedo, não cheiro, não participo, não compartilho de uma ideação comprada por mim mesmo de como as coisas deveriam e poderiam ser.
é um pânico da falta de números nas correntes que dizem fazer contas.
o pânico do sinal de subtração, que subtrai esperanças, atrai pesadelos, acorrenta os punhos aos olhos me fazendo apenas crer, idiotamente, que valores apenas significam algarismos.
é um enxame de badkarmas alagando um copo
que pesa quanto mais seguro
com braço estendido
e mente rendida.
é um fundo do poço que não acalenta
que não me comporta
que não posso me aconchegar jamais.

acorda do breu mente insana jogada às traças dos olhos alheios!
acorda jocosa e bem humorada, peloamordedeus que amanhã é a segunda dos quase trinta
e ainda quero ver as terças dos 40 e os domingos em que meu joelho só fará doer.

acorda que tudo pode ser simples
se eu virar o copo e ligar o foda-se.

--

'só vivemos uma vez…
quantas chances teremos?'


mardi 19 mars 2013

há gente q gosta do preto no branco, de bater ponto todo dia e ver o salário na conta. de seguir as ordens, de mover as peças seguindo as devidas regras e precauções!

eu não sou assim


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curioso

curioso como as crises de identidade sempre parecem maiores entre uma faxina e outra!


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mercredi 27 février 2013

gavetas


acumulo, conservo, coleciono, escrevo, rabisco, anoto, sublinho, marco páginas e as engaveto porque não quero deixar de ser o pouco que já fui e o muito do que jamais s[ab]erei!
do reencontro inocente com as deliciosas voltas ao dia em oitenta mundos e dois tomos de cortazar!

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Location:home

jeudi 31 janvier 2013

santa maria, mãe de deus

capítulo 1

Pensei: as always!

Ela escorria gelada, do centro até a orelha esquerda, passando por trás e arrepiando até o último fio de cabelo!

Uma gota caiu da marquise cinza, enquanto a garoa flutuava sobre a cidade!

Duas meninas lindas passaram por mim com um guarda-chuva azul royal, também lindo! Bordas brancas e haste preta! o cabo tinha um animal qualquer, difícil de reconhecer quando de ponta-a-cabeça! lembro de pensar que com os minúsculos flocos de chuva, abrir o meu ainda seria desnecessário! estariam de escova recente, talvez?

Saí com pressa e irritado com a velha plastificada. sorri pensando que ela poderia estar depositando dinheiro pro filho que mora longe! ou pr'alguma vítima de desastre! quem sabe até pagando um agiota! ou ainda, apenas pagando seu aluguel! velhas embotocadas também pagam aluguel, certo?

Não adiantou! ela continuou plácida sua operação bancária. estremeci, mas me calei!

ela não ouviu! enfurecido, apenas repeti com educação! – apenas este me serve!

eu disse: a sra vai usar de novo? Porque esse é o único caixa com dinheiro trocado!

Dei um boa noite rouco e ousei interferir em sua ação! ela pegou suas notas, seu telefone e não saiu da frente da porra do caixa!

Sairam apenas notas de 100! I-na-cre-di-tá-vel que a única pessoa, além de mim naquele banco, estava usando o único caixa com trocados para sacar o que todos os outros tinham! NOTAS DE 100!

A sra. que estava em outro caixa reclamou da falta de dinheiro, e murmurando qualquer outra coisa se dirigiu ao meu único destino naquele lugar!

Passeei de uma ponta a outra e verifiquei que quase todos os caixas só tinham notas de 100 e apenas um tinha notas de 2/20/50 e  também de 100!

Entrei apressado e feliz pq haviam muitos caixas disponíveis!

Andava tranquilo, rua escura, vazia e molhada! Olhei no relógio. Eram 21:40. O banco ainda estaria aberto!

Saí de casa ainda na dúvida se não seria melhor ficar e dormir um pouco mais essa noite. Afinal, andava muito cansado.

Comi 3 água e sal com cotage e blanquet. Bebi água, vesti o tênis e peguei meu guarda-chuva já no escuro, porta aberta e corredor sem luz!

capítulo 2

Não! comecei tudo errado!
Eram 3 da manhã. Meu pulmão ardia! Luzes piscavam e eu não sentia mais nada!

Me assustei e tentei correr abaixado! Pernas se desvelavam no meio da fumaça! Bati a cabeça na quina de uma mesa, derrubei um banco e segui caçando o Júlio e a Laura!

Um clarão, muito calor, gritaria e confusão!

Peguei meu último drink da noite! Tenho o hábito de comprar apenas 4 fichas. Queria economizar, mas sempre batia um arrependimento quando usava a última ficha!

Voltei do banheiro e fui ao encontro de Júlio! Laura estava com Luiz num amasso de dar inveja.
Tocava nossa música. Júlio um pouco tímido tinha receio de me beijar naquela boate. Medo de apanhar, medo das opiniões alheias. Medo do rapaz do trabalho que havia encontrado na fila.

A fila andava devagar. Como sempre, esperavam dar meia noite para encurtar o tempo da lista amiga.
Entramos tarde e de tanta cerveja consumida na calçada, fui direto ao banheiro.

Peguei o Júlio na portaria, o taxista, já habitual, sabia o caminho. Laura encontraria conosco no bar da esquina.

Liguei pra Laura e pro Júlio. Tudo combinado. Estava cansado, mas não tinha volta. Já havia tirado o dinheiro do taxi e da entrada. Pro consumo da noite usaria o débito.

Perguntei sobre sua família ainda fora do carro. A filha ia bem. Disse-me enquanto fechava a porta que aquela seria sua última corrida do dia. Dona Maria lhe esperava pro jantar. Comentei com simpatia, que ele estava apenas me esperando. Sorte a minha.

Ainda arrepiado daquela maldita gota gelada que me fazia ter plena consciência de cada centímetro da minha cabeça, avistei o ponto de táxi. O carro do seu Agenor parecia ser o primeiro.

capítulo 3

Não conseguia mais girar minha cabeça. Uma leve surdez me deixava na dúvida se o salão estava cheio e movimentado ou se todo aquele barulho vinha dos meus pensamentos. O teto era branco, frio e a luz me forçava o fechar dos olhos febris.

Tinha mais coisa. Não conseguia lembrar de muito. Não sei se tinha respondido tudo direito. Sentia um calor na cabeça. Um escorrer de calores, num fluxo rápido que mal me deixava sentir arrepios. O ouvido latejava, o nariz, os olhos ardiam e o coração parecia pulsar em cada fio.

Doía minha sobrancelha esquerda, mas não pensava ser grave. A sensação era de fios arrancados. Leve ardência na camada mais externa da pele, como se houvesse um ralado.

O enfermeiro saiu, tinha um ar grave, uma fraqueza nos olhos e uma voz de desesperança. Pensei que fosse comigo, que devia estar com aparência caótica. Da minha roupa só pouco da cor real aparecia.

Me fez algumas perguntas, queria saber do meu estado de consciência. Dóia pra falar, mas acho que disse tudo.

Se apresentou numa velocidade que me lembrou a Six, de Blossom. Explicou coisas que mal entendi, enfiou uma faca de luz nos olhos e pediu que move-se algumas partes. Tenho certeza que fiz tudo de modo bem débil.

Era difícil saber pra onde tinha me levado. Não sei se entrei sentado ou deitado, acho que tinha mais gente comigo.

Sentia uma fraqueza como poucas vezes havia experimentado. Uma vontade louca de desligar aquela matraca que não me deixava dormir.

Os olhos pesavam, mas alguém cismava em me sacudir.

Era estreito e corria muito. O sono amenizava a tonteira. O gosto de morte na boca do esôfago me confundia os sentidos.

Me ampararam como num abraço forte. Me conduziram como uma marionete, um degrau alto e alguns vultos estavam acomodados naquele cubículo que piscava como na festa.

Um vento soprou forte, ardeu meu rosto e parecia arrancar minha alma. Teria saído, pensei. Ainda parecia tudo muito cheio, mas o choque de temperatura me encheu de esperança.

Me empurravam de todos os lados. Lembrei de um momento parecido do rock in rio, onde sem os pés no chão, eu pulava na inércia da multidão. Me atinei a fazer movimentos curtos que acompanhassem o desespero daqueles corpos.

Caí de joelhos, queria um prumo. Saber onde estava o fora e onde estava o dentro. Meu relógio acendeu de repente. Eram 3 horas.

capítulo 4

Uma dor profunda, de contorcer os órgãos me invadiu. Teria mesmo ouvido aqueles nomes? Ouvi alguns nomes misturados aos berros do noticiário. Alguém próximo que eu não reconheci nem a voz e que não deve ter me reconhecido também, sufocava no choro desesperado os nomes de Júlio e Laura Rezende de Mello.

Chamaram-na em súplica. Voz embargada e um cheiro de me dar náuseas.

Algo gelado invadiu-me a circulação do braço, despertando o ombro e o calor de um peito em ebulição. Recobrei um pouco mais dos sentidos.

Me entubaram, espetaram agulhas, uma das mãos parecia sem pulso, mas ainda a sentia. Pediram que fechasse a mão por um segundo.

Uma voz reconfortante e doce me pediu que ficasse tranquilo para que ela realizasse seus deveres o mais rápido que conseguisse. Alguém viria em seguida.

Seguraram minha mão e perguntaram meu nome. Isso eu ainda sabia.

capítulo 5

Perdi o Júlio, a Laura e o todo o futuro que havia projetado. Metade do meu rosto era passado. Metade era um presente desfigurado.

Chorei sem lágrimas, sem forças, todo meu corpo estava vazio. Murcho.

Romantismo barato e sem sentido. Era irritante pensar que nossa última música havia sido a primeira.
Aquela que dançamos juntos, febris e jovens na pista que ainda existia em 2003.
Durante 10 anos ele dedicava o refrão pra mim. E eu respondia aquele doce So kiss me com o mesmo beijo faminto com que havia dito sim ao seu pedido de namoro.

Me trouxeram o espelho, me disseram que meus pais já voltariam, estavam conversando com o médico.

Minha mãe chorava e meu pai, com o olhar mais triste que já tinha visto evitava meus olhos.

Ouvi gritos por Maria. Era suas vozes! Gelei e tive a certeza que o pesadelo era real.
Que havíamos saído como em qualquer outro sábado, em qualquer outra cidade que conhecemos juntos em nossas viagens. Tudo isso devia ser um pesadelo. Um daqueles que me assombra quando bebo demais.

Veio a confirmação, eram mesmo aqueles. E a voz era de Dona Maria. Minha santa sogra. Tive uma vontade de gritar que eu estava ali e eles estavam comigo, que precisavam estar bem.

Queria decifrar toda e qualquer informação que trocavam. Eu amava o Júlio e Laura era minha cunhada mais linda. Precisava entender o que diziam.

capítulo final

Era vida e continua sendo, pros outros. Eu ainda sinto um gosto forte de cinza e morte.

Não me sai da cabeça a cena da minha avó dizendo: Pra morrer, basta estar vivo!

Tudo havia mudado. E como percebi mal as pequenas significâncias de qualquer outro segundo vivido.

Só consigo pensar que nada nunca mais será o mesmo. Nem a gota da marquise, nem a irritação no caixa eletrônico, a espera da fila. Nem meu rosto ou nossa música. Seu Agenor, a última ficha, o último drink, o olhar do meu pai, o abraço da minha mãe...









nossa senhora desatadora do nós


nos atamos há tempos
que a memória já não consegue mensurar
ora apertados, ora soltinhos
balançávamos a linha
criando laços pelo mundo
unindo a nós outros nós

algumas tríades fortaleceram nossa corda
algumas sucumbiram ao afrouxar do tempo
e num ritmo tarantinesco
formamos trama, entrelaços, tecido

de pespontado forte filtramos a vida,
entrelinhas, entre um nós que já não era
duo, mas múltiplo, de 3 ou 2,
dependendo do calendário.

fechamos o cerco,
formamos cirandas,
no balanço da dança
costurei pensamentos
enterrei carretéis, enlacei sentimentos
com avançar dos passos
e soltei o nó que prendia nossos pés.

fácil não foi. desde então
esqueci como se amarram cadarços
aprendi a dar nó no pescoço
e me entristeci com o nosso desatamento.
mas a vida segue, nós cegos,
marinheiros, atracantes ou flutuantes.

os fios costuram meses
enquanto aguardo novos nós
amarrados com aperto de mãos
arrematados com sorrisos
e vizinhos de pés num mesmo caminho.

[de mim pros nós de garganta da última noite que meus dedos ousaram desfiar]

mardi 22 janvier 2013

insano

o q a gente faz pra não enlouquecer durante um ataque de ansiedade??

sinto meu corpo sendo bombardeado por radicais e insanas ordens de auto-sabotagem!

and its no good

etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc... etc...


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